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Colesterol e alimentação

Dicas sobre dietas que podem proteger seu coração de doenças

A relação entre a alimentação inadequada e as doenças do coração, como o infarto e o AVC, já é bem estabelecida. A boa notícia é que pequenas trocas no dia a dia, somadas à atividade física, reduzem bastante esse risco.

Em resumo

  • Troque farinha refinada e ultraprocessados por alimentos integrais, frutas, verduras e legumes.
  • Evite gorduras trans e reduza as saturadas; prefira azeite, castanhas e peixes.
  • Cápsulas de ômega 3 não são para todos: converse com o médico.
  • Menos sal, pouco álcool e uma rotina ativa completam a proteção.

Ainda surgem muitas dúvidas sobre quais são as melhores escolhas à mesa, levando em conta as atualizações e as evidências mais recentes. Anote as dicas abaixo.

1. Prefira carboidratos integrais e ricos em fibras

Carboidratos com muita farinha refinada devem ser evitados e, se possível, substituídos por opções ricas em fibras, como frutas, cereais integrais e alimentos feitos com farinha integral. Os carboidratos ultraprocessados estão associados a inflamação, a alterações na parede dos vasos (disfunção endotelial), ao aumento dos triglicerídeos e ao ganho de peso. Tudo isso aumenta a chance de doenças graves, como o infarto.

2. Corte as gorduras trans e reduza as saturadas

As gorduras saturadas e, principalmente, as trans aumentam o colesterol LDL, que participa da formação das placas nas artérias. Reduzir o seu consumo está fortemente ligado a uma menor chance de infarto e AVC. As gorduras parcialmente hidrogenadas eram a principal fonte de gordura trans industrial. Desde 1º de janeiro de 2023, a Anvisa proíbe o seu uso nos alimentos no Brasil. Mesmo assim, bolos industrializados, biscoitos recheados, sorvetes e pizzas congeladas costumam ter muita gordura saturada. Leia o rótulo e evite produtos com "gordura vegetal hidrogenada" na lista de ingredientes.

No lugar delas, prefira as gorduras boas: azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes e peixes.

3. Ômega 3: nem todo suplemento protege

O ômega 3 em cápsulas continua sendo uma incógnita na proteção do coração. Alguns estudos mostraram redução de risco, enquanto outros não mostraram benefício. Os estudos favoráveis usaram doses altas (4 g por dia) de um tipo específico e purificado de ômega 3, o EPA, em pacientes selecionados, e esse produto é diferente da maioria das cápsulas vendidas em farmácias. Comer peixe pelo menos duas vezes por semana continua sendo uma boa escolha. Antes de tomar suplemento, converse com o seu médico.

4. Menos sal, mais sabor natural

O excesso de sal aumenta a pressão. A recomendação geral é não passar de 5 g de sal por dia, somando o sal de casa e o dos alimentos industrializados. Use ervas, alho, cebola, limão e especiarias para dar sabor e leia os rótulos: embutidos, temperos prontos e salgadinhos costumam ter muito sódio.

5. Monte o prato com comida de verdade

Os padrões alimentares com mais evidência de proteção, como a dieta mediterrânea e a dieta DASH, têm muitas frutas, verduras, legumes, grãos integrais, feijões e outras leguminosas, azeite, castanhas e peixes, e pouco açúcar, carne processada e ultraprocessados.

6. Álcool: quanto menos, melhor

Não existe uma dose de álcool que proteja o coração. O excesso eleva a pressão e os triglicerídeos e pode desencadear arritmias, como a fibrilação atrial.

7. O estilo de vida completa a proteção

O estilo de vida influencia muito o aparecimento das doenças. Adotar uma alimentação equilibrada e fazer atividade física com frequência pode reduzir pela metade o risco de doenças cardiovasculares, como o AVC e o infarto. Somados a não fumar, dormir bem e controlar a pressão, o colesterol e o diabetes, esses hábitos são a base da prevenção.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor dieta para o coração?

Os padrões com mais evidência são a dieta mediterrânea e a dieta DASH: ricas em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas, azeite, castanhas e peixes, e pobres em ultraprocessados, açúcar e sal.

Café faz mal para o coração?

Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de café não aumenta o risco cardiovascular. Quem tem arritmia ou pressão descontrolada deve conversar com o médico.

Preciso cortar totalmente a gordura?

Não. O importante é trocar as gorduras trans e reduzir as saturadas, preferindo as gorduras boas, como o azeite de oliva, as castanhas e os peixes.

Referências

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  2. Izar MCO, Lottenberg AM, Giraldez VZR, Santos Filho RDS, Machado RM, Bertolami A, et al. Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular – 2021. Arq Bras Cardiol. 2021;116(1):160-212. doi: 10.36660/abc.20201340. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8159504/
  3. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi: 10.36660/abc.20250624. abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-hipertensao-arterial-2025/
  4. Arora M, ElSayed A, Beger B, Naidoo P, Shilton T, Jain N, et al. The impact of alcohol consumption on cardiovascular health: myths and measures. Glob Heart. 2022;17(1):45. doi: 10.5334/gh.1132. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9306675/
  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Resolução RDC nº 632, de 24 de março de 2022. Dispõe sobre a restrição de uso de gorduras trans industriais em alimentos. Diário Oficial da União. 30 mar 2022;Seção 1(61):299. ses.sp.bvs.br/wp-content/uploads/2022/03/U_RS-MS-ANVISA-RDC-632_240322.pdf
Dr. Luiz Prota
Escrito porDr. Luiz Prota

Cardiologia · Ecocardiografia

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