Você sabia que o colesterol não vem apenas das comidas?
A maior parte do colesterol do corpo não vem do prato: é produzida pelo próprio fígado. Por isso, há pessoas que fazem dieta e exercício e, mesmo assim, continuam com o colesterol alto, muitas vezes por herança genética.
Em resumo
- Só uma parte menor do colesterol vem da alimentação; a maior parte é fabricada pelo fígado.
- A genética influencia muito a quantidade de colesterol que o fígado produz.
- O LDL alto aumenta o risco de infarto e de AVC, mesmo sem dar sintomas.
- O cardiologista investiga a causa e define a meta e o tratamento para o seu risco.
Por que meu colesterol continua alto se eu faço dieta?
É uma dúvida comum no consultório: "Doutor, por que eu faço dieta e atividade física e meu colesterol continua alto?". A explicação é simples. O colesterol é uma substância importante para o corpo: faz parte das membranas das células e é usado para produzir hormônios e vitamina D. Os seus níveis são medidos com um exame de sangue.
O ponto principal é que apenas uma parte menor do colesterol vem da alimentação, algo em torno de 15% a 30%. A maior parte é produzida pelo próprio organismo, principalmente pelo fígado.
Por isso, se você tem uma carga genética que favorece a produção de colesterol pelo fígado, os níveis podem continuar altos mesmo com uma ótima dieta e atividade física. E o colesterol alto aumenta o risco de doenças como o infarto e o AVC.
Colesterol bom e colesterol ruim
- LDL, o "colesterol ruim": em excesso, deposita-se na parede das artérias e forma as placas de aterosclerose. É o principal alvo do tratamento.
- HDL, o "colesterol bom": ajuda a retirar o excesso de colesterol das artérias. Mas aumentar o HDL com remédios não mostrou reduzir infartos; o foco do tratamento continua sendo o LDL.
- Triglicerídeos: outra gordura do sangue, muito influenciada por açúcar, álcool, excesso de peso e diabetes.
Quando a causa é genética
Na hipercolesterolemia familiar, uma alteração genética faz o fígado retirar menos LDL do sangue. Os níveis ficam muito altos desde cedo, e o risco de infarto precoce é grande se não houver tratamento. Vale investigar quando o LDL está muito alto (por exemplo, acima de 190 mg/dL em adultos) ou quando há parentes próximos que tiveram infarto antes dos 55 anos, nos homens, ou dos 65 anos, nas mulheres.
Qual é o colesterol ideal?
Não existe um único valor ideal para todos. A meta de LDL depende do seu risco cardiovascular: quanto maior o risco, como em quem já teve infarto ou tem diabetes com outras doenças, mais baixa deve ser a meta. Esse cálculo é feito pelo cardiologista, considerando idade, pressão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e, às vezes, exames como o escore de cálcio.
Como tratar?
Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e não fumar são a base e ajudam sempre. Quando isso não basta para chegar à meta, ou quando o risco já é alto, o médico pode indicar remédios, como as estatinas, que reduzem a produção de colesterol pelo fígado. Esses remédios são seguros para a maioria das pessoas e devem ser usados de forma contínua, sem parar por conta própria.
O cardiologista pode e deve investigar qual a origem e qual a razão para o colesterol daquele paciente estar alto, e traçar junto com ele o melhor tratamento.
Perguntas frequentes
Quem é magro pode ter colesterol alto?
Sim. Como a maior parte do colesterol é produzida pelo fígado e a genética tem grande influência, pessoas magras e ativas também podem ter colesterol alto.
Colesterol alto dá sintomas?
Na grande maioria das vezes, não. Ele só é descoberto com o exame de sangue, por isso é importante dosá-lo periodicamente.
Ovo aumenta o colesterol?
Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de ovos tem pouco efeito no colesterol do sangue. Pesam mais as gorduras saturadas e trans e o padrão geral da alimentação.
Posso parar a estatina quando o colesterol normalizar?
Não sem orientação médica. Em geral, o colesterol normaliza justamente por causa do remédio; ao parar, ele tende a subir de novo.
Referências
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio, procure um pronto-socorro ou ligue 192.
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