Escore de cálcio e angiotomografia de coronárias: qual a diferença?
O escore de cálcio coronariano é uma tomografia rápida, sem contraste, que mede a quantidade de cálcio nas artérias do coração. O número ajuda o cardiologista a estimar o risco de infarto e a decidir, junto com você, a intensidade do tratamento preventivo. Já a angiotomografia de coronárias usa contraste e mostra as placas e os pontos de estreitamento; é usada principalmente para investigar sintomas, como dor no peito.
Em resumo
- O escore de cálcio mede o cálcio nas artérias coronárias, um marcador de aterosclerose.
- É feito em tomógrafo, sem contraste, em poucos minutos e com baixa dose de radiação.
- Resultado zero indica risco muito baixo nos próximos anos; acima de 100, o risco já é considerado alto e, acima de 300, muito alto.
- É mais útil em pessoas sem sintomas e com risco intermediário. Quem pede e interpreta é o cardiologista.
- A angiotomografia de coronárias usa contraste na veia e mostra as placas, com ou sem cálcio, e o quanto as artérias estão estreitadas.
- Ela serve principalmente para investigar dor no peito quando a chance de doença nas coronárias é baixa ou intermediária. Qual exame fazer, o cardiologista decide.
- A Ecocardio não faz tomografia: os cardiologistas da clínica indicam o exame, quando faz sentido, e interpretam o resultado na consulta.
O que é o escore de cálcio?
O escore de cálcio coronariano (ECC) é feito em um aparelho de tomografia computadorizada e tem como principal objetivo medir o cálcio presente nas artérias do coração, as coronárias. São elas que, ao entupir, causam o infarto.
Com o tempo, as placas de gordura que se formam na parede das artérias (a aterosclerose) podem acumular cálcio. Por isso, encontrar cálcio nas coronárias é um sinal bastante específico de que a aterosclerose já está presente, mesmo em quem nunca teve sintomas.
Como é feito o exame de escore de cálcio?
O escore de cálcio é feito em um tomógrafo, em poucos minutos, sem contraste e sem agulha. Você deita no aparelho, recebe eletrodos no peito para sincronizar as imagens com os batimentos e segura a respiração por alguns segundos. É um exame de baixa complexidade, e a dose de radiação é baixa.
Precisa de jejum?
Não: como não usa contraste, o escore de cálcio em geral não exige jejum nem a suspensão de remédios. Siga sempre as orientações do serviço de tomografia; alguns pedem, por exemplo, para evitar café e outras bebidas com cafeína nas horas anteriores. Quando o escore de cálcio é feito junto com a angiotomografia, no mesmo exame, vale o preparo da angiotomografia, que inclui jejum (veja abaixo).
Como entender o resultado do escore de cálcio?
O resultado é um número, calculado pelo método de Agatston. De forma geral, os cardiologistas o interpretam assim:
- Zero: nenhum cálcio detectado; o risco de infarto nos próximos anos é muito baixo.
- De 1 a 100: aterosclerose discreta.
- De 101 a 400: aterosclerose moderada.
- Acima de 400: aterosclerose extensa.
Pela diretriz brasileira de colesterol de 2025, acima de 100 o risco já é considerado alto e, acima de 300, muito alto, parecido com o de quem já teve infarto ou AVC. O laudo também costuma comparar o seu valor com o de pessoas da mesma idade e sexo (o percentil): acima do percentil 75, o risco também é considerado alto. O número não é um diagnóstico de entupimento: ele mostra a quantidade de placa calcificada, e não o quanto a artéria está estreitada.
Para que serve na prática?
O resultado mostra em que faixa de risco você está, ou seja, qual a chance de ter um infarto ou um AVC nos próximos anos. Com isso, o cardiologista consegue decidir com mais precisão se é o caso de usar uma estatina, o remédio que reduz o colesterol, e quão rigorosas devem ser as metas de colesterol e de pressão.
Ele é mais útil em pessoas sem sintomas e com risco intermediário, em quem a decisão sobre o tratamento preventivo não fica clara só com os exames de sangue e a avaliação clínica.
Quem não precisa fazer o escore de cálcio?
O exame não é indicado para investigar dor no peito nem para quem já tem doença coronária conhecida, como infarto prévio, stent ou ponte de safena: nesses casos, outros exames são mais adequados, como um teste de esforço ou a angiotomografia de coronárias, conforme o caso. Pessoas de risco muito baixo ou muito alto também costumam não se beneficiar, porque o resultado dificilmente muda a conduta.
O que é a angiotomografia de coronárias?
A angiotomografia de coronárias (angio-TC) também é feita no tomógrafo, mas com contraste iodado injetado na veia do braço. Enquanto o escore de cálcio só mede o cálcio, a angiotomografia mostra o interior das artérias: as placas com cálcio, as placas sem cálcio, que o escore não enxerga, e o quanto cada trecho está estreitado.
Quando a angiotomografia é indicada?
O uso principal é investigar dor ou aperto no peito aos esforços quando a chance de doença nas coronárias é baixa ou intermediária, como recomendam as diretrizes brasileira e europeia de 2024. Também ajuda quando um teste de esforço deu resultado duvidoso. Se essa chance já é alta, a diretriz brasileira não recomenda o exame e, em pessoas sem sintomas, ele não é feito como rotina. Dor no peito forte e repentina é emergência: ligue 192.
Como é o preparo da angiotomografia?
Em geral, o serviço de tomografia orienta:
- Jejum de 3 a 4 horas e nada de cafeína (café, chá preto, chá-mate, refrigerante de cola, energético) nas 12 horas anteriores.
- Avisar se tem alergia a contraste, doença nos rins, diabetes ou chance de gravidez. Pode ser pedido um exame da função dos rins (creatinina).
- Quem usa metformina (remédio para diabetes) deve perguntar se precisa suspendê-la depois do exame.
Como as imagens ficam melhores com o coração batendo devagar e em ritmo regular, o médico pode indicar um remédio para baixar os batimentos antes do exame. Na hora, basta prender a respiração por alguns segundos. Nos tomógrafos modernos, a dose de radiação é baixa.
Quais são as limitações da angiotomografia?
Muito cálcio nas artérias, stents (principalmente os mais finos), arritmias como a fibrilação atrial e batimentos que seguem acelerados mesmo com o remédio podem prejudicar as imagens. Nesses casos, o cardiologista pode preferir outro exame.
Qual exame faz sentido para mim?
Em geral, o escore de cálcio é para quem não tem sintomas e quer refinar o risco; a angiotomografia, para investigar sintomas. Quem decide é o cardiologista, com base nos seus sintomas, fatores de risco e exames anteriores.
A Ecocardio faz o escore de cálcio?
Não: a Ecocardio não faz tomografia, nem o escore de cálcio nem a angiotomografia de coronárias, que são feitos em serviços de tomografia. O que a clínica faz é a consulta com o cardiologista: ele avalia qual exame faz sentido para você, faz o pedido quando indicado e interpreta o resultado junto com os demais exames, para definir o melhor plano de prevenção.
Perguntas frequentes
O escore de cálcio usa contraste?
Não. O exame é feito sem contraste e sem agulha, em poucos minutos.
O escore de cálcio precisa de jejum?
Em geral, não, porque o exame não usa contraste. Siga as orientações do serviço de tomografia. Se o escore for feito junto com a angiotomografia, vale o preparo da angiotomografia, que inclui jejum.
A Ecocardio faz o exame de escore de cálcio?
Não. A Ecocardio não faz tomografia. Os cardiologistas da clínica avaliam se o exame é indicado, fazem o pedido e interpretam o resultado na consulta.
Escore de cálcio zero quer dizer que não vou ter infarto?
Quer dizer que o risco é muito baixo nos próximos anos, mas não zero. Pressão, colesterol, diabetes e tabagismo continuam importantes e devem ser acompanhados.
O escore de cálcio substitui o teste ergométrico ou o cateterismo?
Não. O escore mostra a quantidade de placa calcificada e serve para estimar o risco de quem não tem sintomas. Para investigar sintomas, como dor no peito, são usados outros exames, como a angiotomografia de coronárias e o teste ergométrico.
De quanto em quanto tempo repetir o escore de cálcio?
Depende do resultado e do seu risco. A decisão é individual e deve ser tomada com o cardiologista.
Qual a diferença entre escore de cálcio e angiotomografia de coronárias?
O escore de cálcio não usa contraste e só mede o cálcio das coronárias, para estimar o risco de quem não tem sintomas. A angiotomografia usa contraste na veia e mostra as placas, com ou sem cálcio, e o quanto as artérias estão estreitadas. Ela é usada principalmente para investigar sintomas, como dor no peito.
Precisa de preparo para a angiotomografia de coronárias?
Sim. Em geral, jejum de 3 a 4 horas, nada de cafeína nas 12 horas anteriores e avisar sobre alergia a contraste, doença nos rins, diabetes, uso de metformina ou chance de gravidez. Às vezes é dado um remédio para baixar os batimentos. Siga as orientações do serviço de tomografia.
Referências
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio, procure um pronto-socorro ou ligue 192.
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